quarta-feira, 15 de junho de 2016

Terço da Misericórdia


Iniciar rezando um Pai nosso, uma Ave Maria e o Credo.
O Credo - Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.  E em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria. Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos. Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos. Ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo- poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo.  Na Santa Igreja Católica. Na comunhão dos santos. Na remissão dos pecados. Na ressurreição da carne. Na vida eterna. Amém.
Nas contas grandes (do Pai Nosso) reza-se:
Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de vosso diletíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mumdo inteiro.
Nas contas pequenas (da Ave Maria) reza-se:
Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórida de nós e do mundo inteiro.
No final do terço repetir três vezes:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. Amém

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus




A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem sua origem na Sagrada Escritura
A devoção ao Sagrado Coração, de um modo visível, aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: no gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a Última Ceia (cf. Jo 13,23); e, na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).
Em um acontecimento, temos o consolo de Cristo pela dor na véspera de Sua morte. No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Esses dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque: “Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”
O beato João Paulo II sempre cultivou essa devoção e sempre a incentivou a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, ele afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero, hoje, dirigir, juntamente convosco, o olhar dos nossos corações para o mistério desse coração. Ele falou-me desde a minha juventude. A cada ano, volto a esse mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”
Conheça agora as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:
1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;
2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3ª Promessa:
 “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4ª Promessa:
 “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;
6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;
7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;
8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;
9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;
10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11ª Promessa:
 “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;
12ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Ato de Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus
(Texto aprovado por São Pio X em 1908)
SAGRADO CORAÇÃO de Jesus, que manifestastes à Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, viemos hoje proclamar vossa Realeza absoluta sobre a nossa família.

Queremos, de agora em diante, viver a vossa Vida; queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes as quais prometestes e, já neste mundo, a paz.

Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.
Reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo Amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja Chama manteremos pela recepção frequente de vossa divina Eucaristia.

Dignai-Vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.

Se alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de vos ofender, lembrai-vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.

Quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos Desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa Glória e os vossos benefícios.

Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José, apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai!

Ato de Consagração Pessoal ao Sacratíssimo Coração de Jesus
(de Santa Margarida Maria Alacoque)

Eu, (seu nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, minhas penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar!

Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único Bem do meu amor, Protetor da minha vida, Segurança da minha salvação, Remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, Reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu Amparo seguro na hora da morte.

Sê, ó Coração de Bondade, a minha Justificação diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa Cólera.

Ó Coração de Amor, deposito em Vós toda a minha confiança, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa Bondade. Extingui em mim tudo o que possa vos desagradar ou que se oponha à vossa Vontade.

Seja o vosso puro Amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu vos esquecer nem me separar de Vós. Suplico-vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso servo. Amém.


http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/devocao/as-12-promessas-do-sagrado-coracao-de-jesus/

Oração - Agonia de Jesus no Horto



Um anjo do céu vem confortá-lo porque agora ele entrava numa verdadeira agonia e seu sofrimento era tão intenso que seu suor se tornava em sangue e corria em gotas.

"Ninguém crê realmente que suei sangue naquela noite no Getsêmani, e poucos crêem que sofri muito mais nessas horas do que na crucifixão. Foi mais doloroso porque Me foi manifestado claramente que os pecados de todos eram tornados Meus e Eu devia responder por cada um. Assim, Eu, inocente, respondi ao Pai como se fosse verdadeiramente culpado de iniqüidade. Eu, puro, respondi ao Pai como se estivesse manchado de todas as impurezas que vós, Meus irmãos, tendes praticado, desonrando a Deus, que vos criou para que sejais instrumentos da grandeza da criação e não para desviar a natureza que vos foi concedida... Portanto, fui feito ladrão, assassino, adúltero, mentiroso, sacrílego, blasfemo, caluniador e rebelde ao Pai, a quem sempre amei."

"Não podes encontrar semelhança a este gênero de sofrimento, porque o homem que peca compreende, com Minha luz, a parte que lhe cabe e, muitas vezes, imperfeitamente, não vê como é o pecado diante de Mim. Por isso, é claro que somente Deus pode conhecer o que é uma ofensa feita a Ele. No entanto, a Humanidade deveria poder oferecer à Divindade um pleno conhecimento e a verdadeira dor e arrependimento; E posso fazê-lo todas as vezes que quiser, oferecendo precisamente o Meu conhecimento que operou em Mim, Homem, com a humanização das ofensas contra Deus. Este foi o Meu desejo: que o pecador arrependido, por Meu intermédio, tivesse como apresentar a seu Deus o conhecimento da ofensa cometida e que Eu, em Minha Divindade, pudesse acolher do homem também a compreensão plena do que fez contra Mim." 
 
"Pai, se é possível afasta de Mim este Cálice. Mas não se faça Minha Vontade e sim a Tua". Disse assim no cúmulo da amargura, quando o peso que caía sobre Mim era tão sangrento que Minha alma se encontrava na mais inverossímil escuridão."

 "Afasta, ó Pai, este amarguíssimo Cálice que Me apresentas e que, ao vir a este mundo, no entanto, aceitei por Teu amor. Cheguei a um ponto em que não reconheço nem a Mim mesmo. Tu, ó Pai, fizeste do pecado uma como herança Minha e isto torna insuportável Minha presença diante de Ti, que Me amas. A ingratidão dos seres humanos já Me é conhecida, mas como suportarei ver-Me sozinho? Deus Meu, tem piedade da grande solidão em que Me encontro!"

"Mas logo prossegui: É justo, Pai Santo, que Tu faças de Mim tudo o que quiseres. Minha vida não é Minha, pertence-Te toda. Quero que não se faça Minha vontade mas a Tua. Aceitei uma morte de Cruz; aceito também a morte aparente de Minha Divindade. É justo. Tudo isto devo Te dar e, antes de tudo, devo oferecer-Te o holocausto da Divindade que, no entanto, une-Me a Ti. Sim, Pai, confirmo, com o Sangue que vês, Minha doação; confirmo, com o Sangue, Minha aceitação: Faça-se Tua vontade, não a Minha..."
 
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!


sábado, 4 de junho de 2016

oração a São João da Cruz

Ó Deus que guiastes São João da Cruz à santa Montanha que é Cristo, através da noite escura da renúncia e do amor ardente à Cruz, concedei-nos segui-lo como mestre de vida espiritual e como ele possamos colocar amor onde não há amor para encontrarmos amor e assim em meio às dificuldades da vida possamos atingir a plenitude do amor a Vós e aos irmãos para um dia contemplar eternamente a vossa glória no Céu.

São João da Cruz, rogai por nós. Amém.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Frases de Madre Angélica


A Madre Angélica sempre será uma das figuras mais representativas da televisão católica. A seguir, algumas das suas frases memoráveis.
“Aqueles que dizem a verdade o amam. Os que dizem o que você quer ouvir, amam a si mesmos”.
“O amor não é um sentimento; é uma decisão”.
“Até o diabo acredita que Deus existe. Acreditar deve mudar a forma na qual vivemos”.
“Deus quer que esteja no mundo, mas que seja tão diferente do mundo até que o mude. Mãos à obra”.
“Não podemos chegar ao céu odiando alguém. Então perdoa agora”.
“Se tens uma cruz, carregue-a. Fazê-lo te tornará santo”. 
“Seus planos, projetos, sonhos devem ser sempre maiores que você, para que Deus tenha espaço para trabalhar”.
“A fé é o que te ajuda a começar. A esperança é o que te mantém em marcha. O amor é o que te leva até o final”.
“A santidade é uma bonita luta”.
“Se você está seguindo a Deus, Ele nunca te mostrará o final. É sempre um caminho de fé”.
“Quando você contempla a humildade de Jesus na Eucaristia, como é possível justificar seu orgulho?”
“Suponho que assim deve ser morrer: estar preparado e ser capaz de olhar para trás as lutas da vida e saber que Deus foi seu companheiro constante”.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Devoção às sete dores de Nossa Senhora

Devoção às sete dores de Nossa Senhora



A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho:
a profecia do velho Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa, o caminho de Jesus para o Gólgata, a crucificação, a Deposição da cruz, a sepultura, portanto, somos convidados hoje a meditar estes episódios mais importantes que os evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus.

As Promessas aos devotos de Nossa Senhora das Dores
Santa Brígida diz-nos, nas suas revelações aprovadas pela Igreja Católica, que Nossa Senhora lhe prometeu conceder sete graças a quem rezar cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas principais "Sete dores" e Lágrimas, meditando sobre as mesmas.

1ª - Porei a paz em suas famílias. 
2ª - Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios. 
3ª - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nos seus trabalhos. 
4ª - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas. 
5ª - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida. 
6ª - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima. 
7ª - Obtive de Meu Filho que, os que propagarem esta devoção (às minhas Lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhe-ão apagados todos os seus pecados e o Meu filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria. 

 
Santo Afonso Ligório nos diz que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu, aos devotos de Nossa Senhora das Dores as seguintes graças:
 
1ª – Que aquele devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer antes de sua morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados.
2ª - Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá nos seus corações a memória de Sua Paixão dando-lhes depois um competente prêmio no Céu. 
3ª - Jesus Cristo guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte. 
4ª - Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.
ORAÇÃO INICIAL
Virgem Dolorosíssima, seríamos ingratos se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas Dores.
Vosso Divino Filho tem vinculado à devoção de vossas Dores, particulares graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos.
Alcançai-nos, Senhora, de vosso Divino Filho, pelos méritos de vossas Dores e Lágrimas a graça...

1ª Oração 

1ª Oração
Pela dor que sofreste ao ouvir a profecia de Simeão de que uma espada de dor transpassaria o vosso coração,
Mãe de Deus, ouvi a nossa prece.

Ave Maria... Glória...

2ª Oração

Pela dor que sofreste quando fugiste para o Egito, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para o salvar da fúria do ímpio Herodes,
Virgem Imaculada ouvi a nossa prece. 

Ave Maria... Glória...  

3ª Oração
Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias,
Santíssima Senhora, ouvi a nossa prece.

Ave Maria... Glória...   

4ª Oração

Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a cruz ao ombro, a caminho do Calvário,
Virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa Prece.

Ave Maria... Glória...  

5ª Oração
Pela dor que sofreste quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões,
Mãe da Divina Graça, ouvi a nossa prece. 

Ave Maria... Glória...  

6ª Oração
Pela dor que sofreste quando recebestes em vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz,
Mãe dos Pecadores, ouvi a nossa prece.

Ave Maria... Glória...

7ª Oração
Pela dor que sofrestes quando o corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando Vós na mais triste solidão,
Senhora de Todos os Povos, ouvi a nossa prece.

Ave Maria... Glória...  

Oração Final
Dai-nos, Senhora, a graça de compreender o oceano de angústias que fizeram de Vós a " Mãe das Dores", para que possamos participar de vosso sofrimento e Vós consolemos pelo nosso amor e nossa fidelidade.
Choramos convosco, ó Rainha dos Mártires, na esperança de ter a felicidade de um dia nos alegrar-mos convosco no céu.
Amém.





sábado, 12 de março de 2016

Sermão de São Leão Magno - sobre A Paixão de Nosso Senhor Jesus

TRADUÇÃO DO SERMÃO

 Percorridos, Diletíssimos, no sermão anterior, os fatos que precederam a prisão do Senhor, resta-nos agora, com o auxílio da graça de Deus, dissertar, como prometemos, sobre o próprio desenrolar da Paixão. Pois tendo o Senhor tornado bem claro, pelas palavras da sua sagrada oração,[19] que existiam n’Ele de modo sumamente verdadeiro e pleno as naturezas humana e divina, mostrando assim de onde Lhe vinha o não querer sofrer e de onde o querer; tendo repelido de si o temor da fraqueza e confirmado a grandeza da força, retomou o sentimento da sua eterna disposição[20] e, pelo ministério dos judeus, lançou ao feroz Diabo a forma do servo [21]que nada possuia de pecado, para que a causa de todos fosse advogada por aquele único no qual existia, sem a culpa, a natureza de todos. Atiraram-se pois sobre a luz verdadeira os filhos das trevas e, embora usando tochas e lanternas, não escaparam à noite da sua infidelidade, porque não reconheceram o Autor da luz. Apoderam-se d’Aquele que estava preparado para ser preso e arrastam Aquele que queria ser arrastado e que, se quisesse resistir, nada poderiam as ímpias mãos para injuria-lO: mas a redenção do mundo seria retardada, e, sem sofrer, a ninguém salvaria Aquele que devia morrer pela salvação de todos.
  
— II —

 Deixando portanto que Lhe fizessem tudo quanto ousavam, sob a instigação dos sacerdotes, o furor popular, é conduzido a Anás, sogro de Caifás e em seguida, por ordem de Anás, (é levado) a Caifás. E depois das loucas acusações dos caluniadores, depois das imaginárias falsidades das testemunhas subordinadas, é transferido, por delegação dos pontífices, ao julgamento de Pilatos. Aqueles, com desprezo do direito divino, bradando que “não tinham como rei senão a Cesar”, (Jo. XIX, 15) como pessoas dedicadas às leis romanas, reservaram todo o julgamento ao poder do Governador, antes ansiando pelo executor da violência que pelo arbítrio da causa. Ofereciam Jesus amarrado por fortes laços, batido por numerosos tapas e socos, coberto de escarros, já condenado previamente pelos clamores, para que, no meio de tantos pre-julgamentos, Pilatos nao ousasse absolver aquele que todos queriam condenar. O próprio processo mostra que nem ele encontrou culpa no acusado, nem tinha firmeza na sua opinião. O juiz condena a quem declara inocente, entregando o sangue do Justo ao povo iníquo; sangue do qual, pela sua própria inteligência e pelo sonho de sua mulher,[22] sabia dever abster-se. O lavar das mãos não purifica o espírito contaminado e nem é expiado com a aspersão dos dedos o crime cometido com ímpia intenção servil. Excede á culpa de Pilatos o crime dos judeus que, aterrorizando-o com o nome de Cesar e excitando-o com palavras invejosas, provocaram-no à realização da sua maldade. Mas também não foge à culpa aquele que, superado pelas desordens, abandonou o próprio julgamento e participou no crime alheio.

 — III —

 Pilatos, Diletíssimos, vencido pela loucura do povo implacável, permitiu que Jesus fosse insultado por muitos ludíbrios e vexado por desmedidas injúrias; à consideração dos perseguidores mostrou-O espancado de açoites, coroado de espinhos e revestido com o manto de irrisória veste. Pensou que sem dúvida isso abrandaria os ânimos dos inimigos; que, saturados os ódios invejosos, já não mais julgassem dever ser perseguido Aquele que viam afligdo de tantas maneiras. Mas acendendo-se a ira dos que clamavam que soltasse Barrabás por indulgência e que Jesus sofresse a pena da Cruz; como se fosse dito em frêmito uníssono pelas turbas: “Sobre nós o seu sangue e sobre os nossos filhos”,[23] obtiveram os inimigos para a sua própria condenação aquilo que exigiam pertinazmente. “Os seus dentes”, como testemunhou o Profeta, “eram armas e setas e a sua língua um gáudio acerrado”[24]. Inútil lhes era conter-se de crucificar com as próprias mãos o Senhor de majestade: atiravam-lhe os dardos letais dos gritos e as flechas envenenadas das palavras. A vós, a vós, ó pérfidos judeus, ó sacrílegos Príncipes do povo, cabe todo o peso deste crime; e conquanto a ferocidade do atentado envolva também o Governador e os soldados, todo o conjunto do acontecimento vos acusa. E tudo aquilo que, no suplício do Cristo, ou foi erro de julgamento de Pilatos, ou complacência da corte, mais ainda vos torna merecedores do ódio do gênero humano, pois pela insistência do vosso furor, nem foi permitido que ficassem inocentes aqueles que não se agradavam da vossa iniqüidade.
  
— IV —

Como a cegueira dos infiéis judeus assim negasse ser seu rei o Senhor de todas as coisas, foi o Senhor Jesus entregue à vontade dos malfeitores e, para irrisão da régia dignidade, foi-lhe ordenado ser o portador de sua Cruz (para que se cumprisse o que previra o Profeta Isaías dizendo: “Eis que nasceu um menino e nos foi dado um filho que tem o império sobre os ombros”[25]. Portanto, quando o Senhor carregava o lenho da Cruz que converteria para Si em cetro de poder, diante dos olhos dos ímpios era isso uma grande irrisão, mas aos Fiéis se manifestava um grande mistério, pois o gloriosíssimo vencedor do Diabo e debelador potentíssimo das forças inimigas, resplandecente de beleza,[26] carregava o troféu do seu triunfo; e trazia sobre os ombros com paciência inalterável o estandarte da salvação para a adoração de todos os reinos; como para fortalecer então, pela imagem da sua própria ação, todos os seus imitadores, dizendo: “Quem não toma a sua Cruz e segue-Me, não é digno de Mim”.[27]
  
— V —

Encaminhando-se então as turbas com Jesus para o lugar da execução, apareceu Simão, um certo Cireneu, ao qual foi transferido o lenho da Cruz do suplício, para que também por um tal fato prefigurada a fé dos Gentios, para quem a Cruz de Cristo não seria vergonha mas glória. Não foi coisa fortuita, mas figurada e mística que, assanhando-se os judeus contra o Cristo, aparecesse um estrangeiro para compadecer-se dele, segundo a palavra do Apóstolo: “Se com-padecemos, também co-reinaremos”[28] para que ao opróbio sacratíssimo do Salvador não fosse submetido algum hebreu ou israelita mas um estrangeiro. Com efeito, por essa transferência também passava da circuncisão para o prepúcio, dos filhos carnais para os espirituais a propriação do Cordeiro Imaculado e a plenitude de todos os sacramentos. Pois se “o Cristo foi imolado”, como diz o Apóstolo, “como nossa Páscoa”[29] que, oferecendo-Se ao Pai como novo e verdadeiro Sacrifício de reconciliação, não foi crucificado no Templo, cuja veneração estava acabada, nem dentro dos muros da cidade, que devia ser destruída em castigo do seu crime, mas fora das portas e do acampamento[30], isso foi para que, tendo cessado o mistério das antigas vítimas, uma nova hóstia fosse colocada sore um novo altar e a Cruz do Cristo não fosse a ara do Templo, mas a do mundo inteiro.

 — VI —


 Considerando o Cristo exaltado pela Cruz, não ocorra à nossa mente, Diletíssimos, só aquela visão que esteve nos olhos dos ímpios, a quem foi dito por Moisés: “E tua vida estará pendente ante teus olhos, e temerás dia e noite, e não crerás na tua vida”[31]. Vendo o Senhor crucificado, estes com efeito em nada puderam pensar senão no seu próprio crime, pois não possuíam o temor pelo qual a verdadeira fé se justifica, mas aquele pelo qual a consciência iníqua é torturada. A nossa inteligência porém, que é iluminada pelo Espírito da verdade, recebe com puro e livre coração a glória da Cruz que resplandece no Céu e na terra. Com penetração profunda veja a realização daquela palavras do Senhor, quando falou sobre o transe da sua Paixão: “Chegou a hora de ser glorificado o Filho do Homem”; e em seguida: “Agora a minha alma está pertubada, e que direi? Pai, livra-Me desta hora. Mas foi para isto que Eu cheguei até esta hora. Pai, glorifica teu Filho”. E como viesse do céu a voz do Pai, dizendo: “Já o glorifiquei, e ainda o glorificarei”, Jesus, dirigindo-se aos circunstantes, disse:”Não por minha causa essa voz se fez ouvir, mas por vossa causa. Agora é o julgamento do mundo, agora o Príncipe deste mundo será expulso. E quando Eu for elevado da terra, tudo atrairei a Mim”.[32]


— VII —

Ó admirável poder da Cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado. De fato atraíste tudo a Vós, Senhor, e tendo estendido os braços um dia inteiro para o povo infiél e negador que não acreditava em Vós e Vos contradizia, o mundo inteiro recebeu o senso para confessar a Vossa majestade[33]. Tudo atraíste a Vós, Senhor, quando, em execração da ignomínia dos judeus, todos os elementos proferiram a mesma sentença; quando, apagadas as luzes do céu e transformado o dia em noite, agitando-se a terra com movimentos insólitos, toda criatura se recusou ao uso dos ímpios. Tudo atraíste a Vós, Senhor, pois, tendo-se rasgado o véu do Templo, os Santos dos Santos se retiraram dos indignos Pontífices, para que a figura se transformasse na verdade, a profecia, na manifestação, e a Lei, no Evangelho. Tudo atraíste a Vós, Senhor, para que aquilo que era celebrado num único templo da Judéia sob simbolismos obscuros, fosse celebrado em toda parte, pela devoção de todas as nações, num Sacramento pleno e sem véus. Agora, com efeito, é mais gloriosa a ordem dos Levitas, mais ampla a dignidade dos Anciãos, mais sagrada as bençãos, a causa de todas as graças; por ela é dada aos crentes uma força tirada da fraqueza, uma glória do opróbio, uma vida da morte. Também agora, tendo cessado toda espécie de sacrifícios carnais, a oblação única do Vosso Corpo e Sangue substitui toda a verdade das vítimas: pois Vós sois o verdadeiro “Cordeiro de Deus, Vós que tirais os pecados do mundo”[34]. E assim em Vós perfazei todos os mistérios, a fim de que, assim como um só é o sacrifício em lugar de toda vítima, seja também feito com toda nação um só reino.


— VIII —

Confessemos portanto, Diletíssimos, o que com gloriosa voz confessou o Apóstolo São Paulo, bem-aventurado Mestre das Gentes, dizendo: “Fiel sentença e digna de toda aceitação é que o Cristo Jesus veio a este mundo salvar os pecadores[35]. É mais maravilhosa aqui a misericórdia de Deus para conosco, porque o Cristo não morreu pelos judeus nem pelos santos, mas pelos iníquos e ímpios; e como a natureza divina não podia receber o aguilhão da morte, nascendo de nós Ele assumiu aquilo que por nõs podia oferecer (n.t.: uma natureza humana). Já de há muito, com efeito, o poder da sua morte ameaçava a nossa morte, como Ele disse pelo Profeta Oséas: ‘Ó morte, eu serei a tua morte; ó inferno, eu serei a tua perda!’. De fato Ele submeteu-se às leis do inferno, morrendo, mas destruiu-as, ressurgindo; e assim destruiu  a perpetuidade da morte, fazendo-a de eterna, temporária. “Assim pois, como todos morrem em Adão, também todos serão vivificados no Cristo”. Faça-se portanto, Diletíssimos, o que diz o Apóstolo São Paulo: “Que os que vivem já não vivam para si, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por todos”, e como as coisas antigas passaram e tudo se fez novo, ninguém permanecerá na caducidade da vida carnal, mas todos, progredindo de dia para dia, renovemo-nos pelo aumento de piedade. Pois por mais que alguém esteja justificado, tem contudo, enquanto está nesta vida, por onde seja mais provado e melhor. Pois quem não progride, regride; e quem nada adquire, não deixa de perder alguma coisa. Compete-nos portanto correr pelos passos da Fé, pelas obras de misericórdia, pelo amor da justiça, a fim de que, celebrando espiritualmente o dia da nossa Redenção, “não com o fermento da antiga malícia e perversidade, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”, mereçamos ser participantes da Ressurreição do Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


Revista “A Ordem”, Abril de 1943


fonte :http://www.capela.org.br/Santos/leao_paixao.htm

Couraça de São Patrício

Levanto-me, neste dia que amanhece, Por uma grande força, a invocação da Trindade, Pela fé na Tríade, Pela afirmação da unidade ...